A interação da UNESP com a comunidade

 

Câmara Central de Extensão Universitária estuda proposta para reforçar o assistencialismo na Universidade

 

A extensão universitária se configura como uma das atividades mais complexas no âmbito acadêmico, já que é o elo de ligação entre a universidade e a sociedade. "Basicamente, as atividades extensionistas são iniciativas que promovem o levantamento e a solução de problemas das comunidades locais e regionais", diz o Pró-Reitor de Extensão Universitária da UNESP, Benedito Barraviera.

 

Além disso, os resultados das atividades de extensão acabam se tornando importantes subsídios para o aprimoramento do ensino e da pesquisa, nas mais variadas áreas, funcionando como norte na definição de políticas acadêmicas", explica Domingos Alves Meira, Professor Titular da Faculdade de Medicina de Botucatu e Coordenador da área das Ciências da Saúde.

 

São por estas razões que o professor Meira, juntamente com a Pró-Reitoria de Extensão Universitária da UNESP (Proex) e muitos outros docentes, vem batalhando para o fortalecimento do assistencialismo dentro da Universidade. Recentemente. Meira encaminhou uma proposta para a Câmara Central de Extensão Universitária (CCEU), que prevê a inclusão da Assistência como um dos objetivos-fim da Universidade, incluindo alterações no estatuto. A proposta será estudada e, se aprovada, será levada aos órgãos superiores competentes - Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE) e Conselho Universitário (CO).

 

"Sabemos que, através das atividades de extensão, descobrem-se novas doenças, novas tecnologias, novos métodos de ensino, novos tratamentos, novas vacinas, já que é atuando em campo que os profissionais conseguem detectar as demandas da sociedade. E, com base nestes dados, cria-se a possibilidade de definir políticas públicas nas áreas da Educação, Saúde, Habitação, Engenharia, Comunicação etc", ressalta Meira. "É por isso que o assistencialismo não pode ficar subalterno em detrimento a outras atividades acadêmicas", complementa.

 

Além disso, as atividades de extensão e de assistência são indispensáveis para a maioria dos cursos de graduação, pós-graduação e especialização. "Se imaginarmos, por exemplo, que um pretendente a cirurgião só aprenderá a fazer cirurgias fazendo, isso não seria possível se a UNESP não prestasse assistência médica com o seu Hospital das Clínicas. Se não tem assistência, no caso um hospital que atende pacientes gratuitamente, não conseguimos ensinar, na prática, os nossos alunos. E isso pode ser estendido a várias áreas. Um pretendente a veterinário também necessita desenvolver atividades em uma clínica. E assim por diante. A rádio UNESP também é um ótimo laboratório para os alunos de comunicação", aponta Meira.

 

Dentro desta discussão, a Proex, para o desenvolvimento de suas ações, entende como necessário buscar as iniciativas das Unidades e o apoio dos Departamentos no sentido da valorização das atividades de extensão, bem como estimular parcerias com instituições externas para contribuir com o seu orçamento. O norte é de que a missão da universidade deve ser orientada para a produção sustentada do conhecimento, tecnologia e cultura, paralelamente à formação de recursos humanos.

 

As atividades de extensão estarão alicerçadas de acordo com as áreas temáticas estabelecidas pelo Fórum de Pró-Reitores, respeitando-se como eixo central as suas linhas programáticas. Foram estabelecidas oito áreas temáticas a saber: Comunicação, Cultura, Direitos Humanos, Educação, Meio Ambiente, Saúde, Tecnologia e Trabalho, e, acatando os Vice-Diretores das áreas de Ciências Agrárias e Veterinárias, incluiu-se como nova área temática a de Ciências Agrárias e Veterinárias.

 

"Neste aspecto a UNESP como Universidade multi câmpus tem um grande significado no seu papel social levando-se em consideração a abrangência de suas áreas de atuação, e as peculiaridades e demandas regionais. Esta filosofia permite a socialização do conhecimento, partindo-se do conceito de que a extensão é uma via de mão dupla, o que nos permite elevar o nível sócio-econômico e cultural da sociedade, além do que se aprende ainda com o saber popular e se contribui para o envolvimento do espírito crítico da população envolvida", afirma Benedito Barraviera, Pró-Reitor de Extensão Universtária.

 

A extensão universitária, segundo Barraviera, é a atividade acadêmica capaz de imprimir um novo rumo à Universidade Brasileira e de contribuir significativamente para a mudança da Sociedade. "Nos dez anos de existência do Fórum de Pró-Reitores de Extensão, com uma nova Constituição, uma nova LDB e com o Plano Nacional de Extensão, seus conceitos amadureceram, seus instrumentos foram aperfeiçoados, e suas principais dificuldades foram afastadas", diz.

 

"As Universidades Públicas Brasileiras são instituições criadas para atender às necessidades do País. Estão distribuídas em todo o território nacional e, em toda a sua existência, sempre estiveram associadas ao desenvolvimento econômico, social, cultural e político da nação. São espaços privilegiados para a produção e acumulação do conhecimento e a formação de profissionais-cidadãos", completa.